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As artes marciais são, basicamente, caminhos amplos através dos quais se podem alcançar a serenidade, a tranqüilidade mental e a autoconfiança. O objetivo mais profundo da arte marcial é o de servir como veículo para o desenvolvimento pessoal.
A ênfase sobre o crescimento pessoal se deu a partir do século XVI, quando as artes marciais passaram de meio prático, visando à morte, a um treinamento esportivo espiritualizado que enfatizava o desenvolvimento pessoal do praticante. Assim, o kenjutsu (combate com espadas) transformou-se no “caminho da espada”, kendô. O jujutsu - luta corpo-a-corpo, sem uso de armas - transformou-se no judô e, da mesma forma, com intensidade diferenciada no aikidô, karatê-dô, tae-kwon-dô, dentre outros. Este elemento “Zen”, o “Dô”, tem como meta final libertar o indivíduo da cólera, da ilusão e da paixão enganosa.
A prática das artes marciais é conduzida por um Sensei. Sen quer dizer “antes”, e sei, “nascido”; assim, aquele que nasceu antes de você nesta arte. O Sensei é o mais sábio na arte; portanto, nela, o Mestre.
O Dojô
Em japonês, o recinto para o exercício de uma arte marcial denomina-se “dojô”. Um dojô é um cosmo em miniatura, onde entramos em contato conosco mesmos – com nossos medos, ansiedades, reações e hábitos. É uma arena de conflitos confinados, onde enfrentamos um oponente que não é um oponente, mas um parceiro empenhado em nos ajudar a compreender a nós mesmos de forma mais ampla. É um lugar onde podemos aprender muito em pouco tempo sobre quem somos e como reagimos ao mundo. Os conflitos que acontecem no interior do dojô ajudam-nos a administrar os que ocorrem fora dele. A concentração e a total disciplina exigidas no estudo das artes marciais continuam ao longo do cotidiano. A atividade no dojô pede-nos que busquemos constantemente coisas novas, sendo assim também uma fonte de aprendizado onde o Sensei divide sua arte com todos, por isso, melhorando como pessoa e induzindo os presentes a superarem seus limites.
Nas palavras do fundador do judô, confirmamos:
“Nada sob o céu é mais importante do que a educação. O ensinamento de uma pessoa virtuosa pode influenciar a muitos. O que foi bem aprendido numa geração pode ser transmitido a centenas.” (Jigoro Kano)
O que é Judô?
- A parte mais visível do Judô é que este é um esporte olímpico bastante difundido no Brasil e no mundo, largamente utilizado com fins educativos.
- A parte mais construtiva é seu grande potencial para a desmistificação da agressividade natural do ser humano. Os mais violentos descobrem que o poder aparente da agressividade não lhes confere vantagem apreciável, mesmo frente aqueles tímidos que, por sua vez, descobrem sua capacidade latente. O resultado é um clima de companheirismo e saudável aprendizado na superação de obstáculos. Visto desta forma, o Judô, também considerado uma filosofia de vida, ajuda o indivíduo a se centrar.
Judô é luta?
- A resposta mais exata seria não, pois - embora o Judô tenha por base a arte marcial do jiu-jitsu, literalmente arte de guerra – tem, por principio, não contundir o adversário (não valem chutes ou socos, por exemplo). Por este motivo, desde o inicio, foram proibidos quaisquer golpes com potencial de ferir o companheiro de treino. Assim, a resposta mais exata é que Judô é um esporte.
Os atletas Brasileiros são bons atletas de Judô?
- Nossos atletas têm tido grande sucesso, temos conquistado medalhas em todas olimpíadas em que participamos ultimamente - devendo ainda destacar que, na Copa Pan-Americana por Equipe de 2005, conseguimos o título sem nenhuma derrota individual, seja masculina ou feminina.
Como é o Judô em Minas?
- Em Minas Gerais, contamos com aproximadamente uma centena de academias, sendo que, no Sul de Minas, somente as cidades de Pouso Alegre e Varginha têm academias federadas. Temos ainda atletas de expressão internacional representantes, por exemplo, tanto na Seleção Brasileira adulta tanto feminina como masculina.
Vi um treinamento... Judô tem caráter religioso?
- De maneira alguma. A foto que fica exposta na maioria das academias é a de JIGORO KANO, um estudioso Japonês, que depurou e sistematizou a prática do Judô. O fato de os atletas ficarem ajoelhados frente à foto é mais uma característica cultural Japonesa tradicional - assim como, por exemplo, andar em casa sem sapatos e curvar-se como sendo sinais de respeito tanto a pessoas quanto a ambientes - sem nenhum caráter religioso.
Judô é melhor que outras ARTES MARCIAIS?
- As vantagens oferecidas pelo Judô são a sistematização, ou seja, as regras são estáveis e as mesmas no mundo inteiro. Os atletas, para ascenderem à condição de professores, passam por um treinamento mínimo de 10 anos e são avaliados por professores reconhecidos nacionalmente. Logo, a possibilidade de um professor de Judô ter desvios éticos no ensino deste esporte é menor - sendo muito improvável que se resuma à mera violência. Assim, o caráter benéfico do Judô é bem conhecido, sendo ministrado em escolas de todo o mundo.
Judô tem algum princípio?
- Sim, há princípios que se aplicam não somente ao Judô. Os exemplos dos princípios básicos são:
• Bem estar e beneficio mútuo – no bom treino de Judô, os pretensos adversários aprendem juntos; não há derrotado, pois aprendemos igualmente com nossos acertos e nossos erros.
• Máxima eficiência com mínimo esforço – não se responde violência com violência. A real beleza do Judô está em utilizar a força do adversário contra o próprio adversário; o ceder para vencer.
Seria bastante útil que o atleta levasse esses princípios para sua vida cotidiana - o que é verdadeiro para a maioria dos atletas bem orientados, que praticam Judô há algum tempo.
Há diferenças no Judô praticado em outros países?
- Podemos dizer que o Judô é semelhante em todo o mundo; melhor explicando, os golpes, as regras, os pré-requisitos para ser um professor são na prática iguais, assim como os campeonatos, mas existem algumas peculiaridades que diferenciam o Judô Japonês do Europeu, por exemplo. Vejamos:
• O Judô Japonês é mais cerimonioso, tanto dentro quanto fora do tatame, a torcida observa a luta em completo silêncio. De modo geral, tanto a torcida quanto os atletas nunca se desentendem com a arbitragem. Nos treinamentos, o Judô Japonês observa uma rígida hierarquia baseada nas faixas, as quais representam o tempo de treinamento do atleta. Exemplificando: se um atleta mais graduado convida outro a treinar, este não pode recusar; sendo que o oposto não é recíproco, pois a decisão de lutar ou não é daquele mais graduado. O treino do Judô Japonês tem maior cordialidade não sendo bem vistas as disputas de pegada ou ainda golpes aplicados de maneira que, mesmo remotamente, venham a provocar lesões em qualquer um dos atletas - seja o atacante ou defensor.
• O Judô Europeu é mais competitivo, possui ainda um caráter menos rígido de disciplina, deixa um pouco de lado a plasticidade da luta e vê-se como vantagem qualquer artifício que leve a vitória.
Resumindo:
1. Japão – Judô arte, moral rígida;
2. Europa – Judô força, moral mais flexível;
3. Brasil – as duas escolas co-existem de maneira equilibrada. Há pouco tempo, temos verificado uma certa prevalência do Judô Europeu, infelizmente.
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